sexta-feira, Setembro 30, 2005

O ELISMO E OS DESCOBRIMENTOS POR DIAMANTINO D. BALTAZAR

«A língua é a casa do ser»
(Heidegger)

Os Portugueses de Quinhentos são actualmente lembrados por feitos ímpares
na História do nosso mundo.

Muitos anos nos separam desse tempo, mas a nossa vontade de preservar a
memória das glórias do Portugal de então é sempre maior em cada século que passa.

Em cada comemoração aprofunda-se a tomada de consciência dos feitos passados e
enraiza-se passo a passo no Universo da LínguaPortuguesa, a Comunidade Lusíada,
a ideia que a grandeza da saga das descobertas vai muito para além das razões da
conquista ou da edificação de um Império.

O reviver do nosso passado, posto em evidência nesta década de comemorações, não
por espírito de emulação mas por vontade própria, espelha o nosso inconsciente
colectivo. No lembrar a História vai-se intuindo que há muito por descobrir nas próprias descobertas de Quinhentos, e que para o fazer é preciso que a memória da Comunidade
se alongue até um Novo Tempo.

Há secretos desígnios nos actos da História dos Homens e dos Povos, que só no futuro se
revelam em toda a sua plenitude.

Quinhentos anos atrás a Nação Portuguesa era já massa e fermento de uma civilização.
Aqui, povos das mais variadas origens foram caldeados durante séculos, ora de modo
guerreiro ora de modo pacífico, até à criação de uma entidade geográfica, cultural e
linguística. Fomos assim nesse processo histórico recebedores e transformadores das
culturas que a esta terra aportaram veiculadas por visitantes e conquistadores oriundos
de paragens distantes.

Exemplarmente, da raíz judaico-cristã vingou em nós a mensagem de Cristo e da
raiz greco-romana vingou em nós a latinidade, coisas comuns a outros povos.

Porém de tudo isto floresceu na nossa terra e noutras distantes algo ímpar, como um
traço de carácter, a que chamamos hoje a Lusitanidade. Nascida provavelmente pela
vontade de devolver ao mundo o legado civilizacional recebido do mundo mas já
fermentado pelo nosso ser particular, é algo que nos distingue.

Conforme o Novo Tempo se aproxima, desfazem-se os Impérios. Só de alguns persiste
o que misteriosamente o tempo decantou como coisas que aproveitam a espiritualização do Homem. Esse ser que reside na casa que é a língua portuguesa e que é a essência da
Lusitanidade adivinha-se participante maior dessa transfiguração do primado do
mundano.

As comemorações dos feitos marítimos dos nossos heróis do passado já não devem por
isso ser entendidas somente como um acto de auto-glorificação de um povo, pois elas
são cada vez mais a festa do carisma Lusíada e de sua particpação no curso espiritual da humanidade.

O Elos nasceu da rara inspiração e vontade de alguns homens bons e cresceu em várias
décadas, com a persistência e o sacrifício dos que abraçaram o ideal de revelar e manter
viva a força carismática da Comunidade Lusíada. Tomou nas suas mãos a gratificante
cruzada de apetrechar essa nau que avança agora para a descoberta de outras paragens,
onde residem os elevados valores do espírito.

O Elismo não é cavaleiro solitário nessa cruzada, mas como pioneiro desta nova saga,
assumiu o dever de manter viva a chama da Lusitanidade, construtora da vida onde impera
o amor pelo próximo, epor isso compaixão, e a solidariedade humanas.

Os Elistas, assumiram o compromisso de defender os valores que são aalma da Comunidade Lusíada, nascida dos descobrimentos de quinhentos, e estão-no fazendo com elevado empenho.
Alegram-se os elistas nesta data de festa com o sentimento e a consciência de participarem
na construção do futuro de um mundo onde se gostará de viver.

Dimantino D. Baltazar

in Editorial da Revista do Elos Internacional, Janeiro de 1992

quinta-feira, Setembro 29, 2005

Soneto de Hélder de Azevedo

Soneto de Hélder de Azevedo

Foi há dias fundada em Portugal,
Uma "Comunidade de Países"
Cuja fala é igual e tem raízes,
Num ignoto Condado, "Portus-Cale".

E essa remota língua "maternal",
Une raças de dif'rentes matizes;
Indo ensinar a ler os petizes,
Que a divulgam de forma original.

Espalha-se por cinco continentes,
E por sete países diferentes,
Esta "fraternal língua de Camões".

E dilatando a fé, junto dos crentes,
Formam a C.P.L.P. seus d'scendentes,
Que rondam já, "duzentos e um milhões".

Faro, 8 de Novembro de 1986
Hélder de Azevedo
Sócio-Fundador do Elos Clube de Faro

* Soneto premiado com "Menção Honrosa" nos
Jogos Florais do Racal Clube de Silves

sábado, Setembro 24, 2005

ELISMO É UM VEÍCULO DE CULTURA LUSÍADA - - ACRÓSTICO DE SILVIA ARAUJO MOTTA

ELISMO É UM VEÍCULO
DE CULTURA LUSÍADA

Acróstico de
Sílvia Araujo Motta,
Uma Elista de BH-MG-Brasil.

E-Eduardo Dias Coelho
L-Lança no seu SONHO:
I-Imenso " OCEANO"
S-Seu laço vermelho
M-Manda aos corações,
O-Os elos de união.
-
É-Elos de Camões.
-
U-Uma só corrente
M-Movimenta "AÇÕES".

V-Valor que une um mundo
E-ELISMO é Bandeira
Í -Irradia Luz
C-Constante altaneira
U-Um lema profundo
L-Liberta e conduz
O-O Amor, tradição.
--
D-Defende a pureza
E-E canta a beleza,
-
C-Cultura e Lição,
U-Um espaço à riqueza:
L-LÍNGUA PORTUGUESA
T-Transcende, em certeza,
U-Um laço Fraterno,
R-Respira Grandeza
A-Atinge o Eterno...
-
L-Lusófono lança
U-Uma forte RAÇA
S-Suprema mensagem:
Í -Imensa Coragem,
A-Amizade, Verdade.
D-Difunde homenagem
A-Ao seu Fundador.

Belo Horizonte, 13 de setembro de 2005

(*) Sílvia Araújo Motta
É ELISTA de BH-MG-Brasil, desde 1995.

sexta-feira, Setembro 23, 2005

LÍNGUA MATERNAL - SONETO DE MARIA JOSÉ FRAQUEZA


LÍNGUA MATERNAL

A língua é um elo de união,
Onde a palavra toma vida e cor
Cadeia que nos prende a um irmão
É laço fraternal de puro Amor!

Para quem quer que seja, ou onde for a
Seja noutro lugar, noutra nação
Há algo que nos sai do coração
Glória do Poeta e do Escritor!

Veículo cultural tão importante,
Que leva a qualquer país distante
A Paz que se deseja universal!

Por isso, cantarei na minha voz,
Para dizer-te: Aqui estamos nós!
Elevemos mais alto Portugal!

- Maria José Fraqueza

quarta-feira, Setembro 21, 2005

SER PORTUGUÊS - PRÉMIO REVELAÇÃO DO CONCURSO LITERÁRIO DO ELOS CLUBE DE FARO 2005 - JOVENS AUTORES


PRÉMIO REVELAÇÃO DO CONCURSO LITERÁRIO DO ELOS CLUBE DE FARO
JOVENS AUTORES 2005

SER PORTUGÛES

Foste português, foste herói, foste um sábio que vagueou pelo mundo e
nos deixou um pouco de si.

Tinhas olhos castanhos e cabelos negros, aspecto de velhinho e um
visual pouco cuidado.

Conheci-te num aeroporto estrangeiro, quando eu, ainda frágil e
insegura menina tentava encontrar a porta de embarque.

Estava perdida, apetecia-me chorar tal como uma criancinha. Que faria
agora?
Sozinha, num país estrangeiro, com uma língua desconhecida. Certamente
experimentaria o sabor do desconhecido naquela tarde. Subitamente uma
voz entrou no meu ouvido, uma voz suave, que entoou não apenas no meu
aparelho auditivo mas também no meu coração. Alguém falara português. Ali
naquele lugar desconhecido, no aeroporto onde já derramara algumas da minhas
lágrimas, subitamente alguém falara português. Foste uma luz que
iluminou o meu dia, uma alegria que com palavras seria impossível de explicar.
Enquanto milhares e milhares de pessoas se dirigiam às portas de embarque
entoando as mais diversas línguas, para ti parecia que o mundo havia parado
à tua volta.

Falavas sozinho, na nossa bonita língua , com um atabalhoado mas no
entanto mais sábio do alguma vez imaginara.

Aproximei-me de ti. Parecias brincar com as palavras, parecias feliz,
sorrias, sorrias, sorrias, havias de sorrir até que a morte te levasse.
Reparei que falavas com um grupo de jovens estrangeiros, mas, como
poderia ser? Afinal estavas a falar português... Pois, lá estavas tu, sempre a
sorrir, a exibir a nossa língua a mostrar-lhe o orgulho de ser português.

Eles, atónitos, olhavam-te com admiração e incerteza, na verdade,
daquilo que dizias nada compreendiam mas o teu olhar e a tua forma de falar
cativaram-nos e mesmo sem saber nada de ti continuaram a olhar-te
atenciosamente.

Fitaste-me com alegria, falaste também para mim. Tinhas uma voz doce,
contavas a um par de jovens algumas histórias típicas do nosso país.

Falavas de literatura, de história, de arte. E naquela imensidão de pessoas,
apenas eu poderia entender-te.

No teu rosto levemente desenhado havia o português dos nossos dias.

Havia o sábio, o sonhador, o herói que partiu em busca do desconhecido
conquistando tudo e todos.

Tu não eras como os outros. Não tinhas vergonha, não tinhas medo de ser
português... Enquanto eles escondiam a sua língua por detrás de um inglês
vergonhoso tu exibiste-a sem pudor, mostrando ao mundo que neste
pequeno cantinho vive um povo de imensa dignidade.

Ouvi-te durante horas, ouvi-te perante o barulho que misteriosamente se
transformara em silêncio para ouvir as bonitas palavras que te saíam
dos encarnados lábios.

« Nós, os portugueses, somos seres bonitos. Na nossa terra acolhemos
todos aqueles que queiram visitá-la, do nosso alimento faremos o dos outros
e com a nossa água mataremos a sede alheia. Somos um pequeno pontinha perdido
no imenso mapa do mundo, mas somos um pontinho mais importante do que
muitas manchas que cobrem esse atlas universal. Nós, portugueses, estamos em
todas as partes do mundo. A viagem sempre fez parte do nosso espírito, da
nossa alma enquanto cidadãos lusos. Aprendemos a viajar e a conquistar , a
sonhar ir mais além. Ser português é motivo de honra. Porque somos nós que
corremos mesmo quando todos decidem ficar parados, porque nos molhamo-nos
quando todos buscam um abrigo, porque nós ousamos viver mesmo quando a
iminência da morte está perto demais.».

Tinhas razão, meu velho. Eu tenho orgulho por ser das tuas gentes,
partilhar as alegrias do nosso povo, as nossas tradições, as nossas loucuras,
os traços característicos da nossa espécie.

A espera tornara-se longa nesse aeroporto algures na Europa, os outros
abandonaram-te mas eu não. Precisava de ti.
Partilhámos ambos a alegria de termos nascido nesse tão lindo país da
Península Ibérica, e tu, como farol sempre pronto a iluminar-me
mostraste-me a porta de embarque, e como se isso não bastasse, viajaste
comigo para este cantinho do mundo - Portugal.

Afinal era tão bom ser português...

Recordámos Luso , o brilhante Deus do Olimpo que deu nome às nossas
gentes, viajámos com Luís de Camões e a sua poesia única, pousamos por
momentos 4nossos olhos nos heróis portugueses que um dia nos fizeram
orgulharmo-nos deles.

Também eu me orgulho de ti , meu velho. Da sabedoria que transmitias ao
mundo, da abertura e alegria com que deste a conhecer o nosso país a
milhares de pessoas que conheceste.

Orgulho-me de teres sido o bom português: O que deixa tudo para o
último momento, o que brilha, o que sorri, o que chora e o que transporta
todo o seu talento para o palco da vida.

O Português que tal como dizias está em todas as partes do mundo.
A mensagem que nos deixaste ainda persiste, ainda vive nos nosso
corações, nos olhares daqueles que escutaram atenciosamente tudo o que olhes
disseste. Obrigado, meu velho. Porque tu foste português, porque lutaste na
guerra e venceste, porque te encarregaste sempre de limpar o nome do nosso
país enquanto outros o mancharam. Obrigado por nunca, em nenhuma parte do
mundo, teres tido vergonha de seres português.

Honraste-nos, fizeste-nos unirmo-nos em defesa daquilo que amamos e
hoje cantamos juntos a nossa glória. A glória de uma país que jamais
morrerá, a glória dos brilhantes antepassados e a alegria do meninos que
construirão neste “cantinho” inigualável um futuro risonho.

Autora: Isa Mestre

sábado, Setembro 17, 2005

PRESENÇA DOS JUDEUS EM FARO POR LIBERTÁRIO DOS SANTOS VIEGAS


PRESENÇA DOS JUDEUS EM FARO

Para quem nos visita pela primeira vez parece oportuno apresentar,
ainda que de forma sucinta, a cidade.

Para isso começamos por dizer que ela nasceu como Ossonoba no morro
onde se localizaram sucessivamente a igreja visigótica, o fórum romano,
a mesquita árabe e, depois da conquista aos mouros (28 de Março de 1249),
a Igreja Matriz de Santa Maria (actual Sé), e que o seu aparecimento é
associado a um entreposto que os fenícios aqui estabeleceram depois de,
por volta 1000 a.C., terem fundado Cádis e incrementado as suas relações
com esta região.

A construção do templo actual demorou desde 1251, data em que o Arcebispo
de Braga a encomendou a Frei Pelágio e Frei Pedro, até cerca de 1270,
ano em que o Rei concedeu o seu padroado à Ordem de S. Tiago.

Por esta cidade, que já era importante no séc. VI a.C., passaram gentes
muito díspares - cónios, fenícios, romanos, visigodos e árabes - que têm
a ver connosco e com a nossa cultura tal como os judeus, que já cá estavam
antes dos romanos, e os negros que vieram como escravos nas caravelas do
Infante...

Estamos numa cidade moldada ao sabor dos tempos e dos contratempos - sismos
de 1504, 1531,1587, 1719, 1722 e 1755, a invasão do conde de Essex, em 1596
e o furacão de 1757, embora nada deva ter suplantado a ignorância e a ganância
de alguns homens.

O espaço onde Ossonoba nasceu, e que é costume designar por VILA-A-DENTRO,
está rodeado por muralhas que, segundo Levi-Provençal, foram mandadas construir
por Bakr ben Yahya ben Bakr, por volta do ano 900, pelo que eram já antigas
quando aqui chegaram D. Afonso III, D. Paio Peres Corrêa - Mestre de Santiago,
Pedro Estaço e João de Boim e demais cavaleiros a conquistar a cidade.

Quando falamos dos povos que andaram por aqui no passado geralmente não referimos
os judeus, apesar de, segundo M. Viegas Guerreiro, eles já cá estarem antes dos
romanos, como consequência da diáspora do séc. I, quando a Palestina passou a
província imperial romana.

Na Península os judeus são tão antigos que ajudaram os árabes a destroçar os
visigodos e, cinco séculos depois, terão ajudado os portugueses a correr com eles.

Aquando da conquista a sua presença já era tão importante que Afonso III os
citou (indirectamente embora) no foral dos mouros forros - "...que nenhum meu
cristão nem judeu tenham poder de fazer-vos mal nem força...".

E foi por reconhecer a importância da Comunidade que a cidade lhe dedicou o
espaço contíguo ao cemitério judaico, parecendo todavia adequado o tratamento
urbanístico da praça e a implantação de um monumento a recordar, por exemplo,
que foi em Faro que, por iniciativa do judeu Samuel Gacon, se editou o
"Pentateuco", o primeiro livro impresso em Portugal.

A comuna de Faro "terá sido sempre a mais distinta da região algarvia e uma
das mais notáveis do País, em todos os tempos", com muitos artesãos e muita
gente endinheirada, sendo frequentes no séc. XIV as ligações comerciais de
judeus e cristãos.

E já então aqui existia um cemitério judaico, provavelmente no Espaldão,
onde foi encontrada uma lápide dedicada a Joseph Dotomb (falecido em 1315),
que se supõe ter sido "um respeitável rabi de Faro, porventura o mais antigo
que se conhece (até agora)" .

Estudada por Monsenhor Pereira Boto, a lápide foi implantada em 1899 no
cemitério israelita, de onde, em 1944, foi levada para o Museu Luso-Hebraico
de Tomar num inqualificável desvio em que intervieram Samuel Schwarz, director
daquele museu, e Semtob Sequerra, figura destacada da comunidade farense.
Enfim, mais um roubo que ficou impune apesar dos protestos que suscitou por
parte dos Drs. Lyster Franco e Justino Bivar.

A prosperidade dos judeus farenses no séc. XV é atestada pelas muitas
cartas de contrato envolvendo artesãos, mercadores, rabis e cirurgiões e
pelas benesses reais a membros da comuna, como uma de 1446, em que o regente
D. Pedro nomeava Moisés Franco tabelião geral das comunas do Sul de Portugal,
o que nos dá conta da importância já então assumida por Faro - "o principal
fulcro da vida administrativa do Algarve, nas suas múltiplas relações com o
poder" .

Foi naquela época, em que também já eram citadas as comunas de Alvor, Lagos e
Portimão, que se editou o "Pentateuco", incunábulo de leitura essencial nas
cerimónias das sinagogas.

Acabado em 30 de Julho de 1487, "por ordem do nobre e alto Dom Samuel Gacon",
o livro tem 110 folhas de 270 x 205, está impresso a preto, a duas colunas
e o único exemplar conhecido encontra-se na biblioteca do Museu Britânico,
instituição que ofereceu um microfilme integral à Câmara de Faro, através do
saudoso Prof. Pinheiro e Rosa, dádiva que levava Alberto Iria a sugerir, em 1984,
a reprodução da obra, com o que pensava que o Município prestaria "um dos seus
mais altos serviços à cultura do Algarve" .

A iniciativa veio a caber ao Governo Civil, na passagem do quingentésimo
aniversário da publicação, e a responsabilidade científica do trabalho coube
aos Prof. Manuel Rodrigues e Cadafaz de Matos, das Univ. de Coimbra e Católica,
respectivamente.

A cidade pouco sabe sobre Samuel Gacon, cuja memória foi apenas evocada no
ex-libris da antiga Biblioteca Municipal João de Deus, por iniciativa do
dr. Moreira Júnior e Alberto de Souza. Assim, tem sido quase total o
esquecimento em relação a Samuel Gacon, de cuja oficina saiu ainda o Talmud,
constituído pelo "Tratado do Divórcio" e pelo "Tratado dos Juramentos", que é,
provavelmente, o décimo incunábulo impresso em Portugal, de que existem vários
exemplares (ainda que incompletos) nas Bibliotecas Nacional de Lisboa, da
Universidade de Leiden (Holanda) e do Seminário Teológico Judaico da América
(Nova Iorque) e na Colecção Eikan Adler (Londres). No Talmud, editado em 1492
(?), a identidade do editor (Dom Samuel Porteiro) suscitou dúvidas que Artur
Anselmo dissipou ao sugerir que a segunda denominação poderia apenas indicar
que, após a impressão do Pentateuco, terão sido atribuídas ao editor as funções
de "Porteiro", a quem cabia citar, penhorar e executar.

Samuel Gacon (ou Porteiro) terá sido um dos muitos judeus que, por volta de
1486, vieram para Portugal, onde a sua sorte era bem diferente da que afectava
a comunidade no país vizinho, onde, num só ano, a Inquisição, então implantada
pelos Reis "Católicos", supliciara milhares deles.

Terão sido judeus oriundos de Espanha, onde já se imprimia em Guadalajara
(1476) e em Hijar (1485), os introdutores da tipografia em Portugal.

Os judeus, apesar de uma certa hostilidade população restante, prosperaram nos
negócios mesmo depois da carta patente de Dezembro de 1496 em que D. Manuel I
os expulsava do País e em virtude da qual os que não o fizeram até 31 de
Outubro de 1497 foram forçadas a baptizar-se.

Assim, oficialmente (e só nesse sentido) deixaram de existir judeus em
Portugal, o que, como é óbvio, também aconteceu em Faro, onde, no local onde
estivera implantada a judiaria, se construiu o Convento de Nossa Senhora da
Assunção, actual Museu Infante D. Henrique.

De maneira visível e vindos sobretudo de Marrocos (Tanger, Tetuão e Mogador,
sobretudo) e de Gibraltar os judeus regressaram a partir de meados do séc.
XVIII, quando terminaram as distinções discriminatórias e já não existia o
Tribunal do Santo Ofício, e instalaram-se principalmente em Lisboa, Porto,
Faro e Ponta Delgada .

Segundo José Maria Abecassis, esta segunda presença judaica na capital
algarvia foi mais significativa durante o século XIX e as primeiras décadas
do XX.

No estudo em que participou sobre o cemitério israelita de Faro, J.
Abecassis referenciou cento e seis enterramentos (tantas as campas ali
existentes), embora só 71 tenham inscrição. Neste trabalho deve salientar-se
também a colaboração de Sam Levy, que copiou em hebraico todas as inscrições, e
do Ver. Abraham Assor, que as traduziu.

O cemitério, que data do ano 1878 da nossa era, foi implantado no Vale de Cães,
um baldio na actual Estrada da Penha, que pertencia ao marechal de campo Luís
Filipe Pereira do Carvalhal, a quem Joseph Sicsú, Moysés Sequerra e Samuel
Amram o adquiriram por setenta e dois mil réis (a escritura notarial foi
lavrada em 30 de Dezembro de 1851).

A comunidade judaica não deveria ser muito numerosa , pois em 1900 só existiam
em Portugal cerca de 500 judeus, 70% dos quais concentrados em Lisboa,
número que em 1912, com o reconhecimento oficial dos judeus, passaria para
perto dos dois mil.

A reduzida expressão numérica fica bem patente no estudo de J. Abecassis,
onde se constata que em 100 anos apenas se registaram 106 enterramentos
- o primeiro e o último foram os do Verº. Joseph Toledano (1838) e do
ancião Abraham Ruah (1932). Entre as 71 sepulturas que ostentam inscrição
encontramos as dos fundadores Samuel Amram (1880), Joseph Sicsú (1871) e
Mosés Sequerra (1877), a cujas famílias pertencem 37% das campas, o que
atesta bem da sua importância local (as restantes 45 sepulturas são de 29
outras famílias).

A importância da comunidade hebraica de Faro é também atestada pelo facto,
pouco frequente, de ter duas sinagogas; situavam-se nas ruas Manuel Belmarço
e Castilho e existiram até meados do século XX, época em que desapareceu
José Ruah, último judeu dessa época.

Outro índice da importância da comunidade judaica é a sua participação na
vida associativa local. No princípio do séc. XX encontramos, por exemplo,
vinte e sete judeus inscritos no Clube Farense, agremiação da alta
burguesia da cidade.

Só conseguimos apurar os nomes de 19. Pertenciam às famílias Sequerra (8),
Amram( 3), Ruah (3), Levy (2), Bensabat, Sicsú e Attias (com 1 elemento cada).

NOMES Nº. Sócio Ocupação
Sequerra, Joshua 13 Negociante
Sequerra, Salomão 75 Negociante
Sequerra, Aarão 119 Negociante
Sequerra, Jacob 195 Negociante
Sequerra, Samuel 310 Capitalista
Sequerra, Moysés 612
Sequerra, Elieser 665 Proprietário
Sequerra, Semtob 1023 Comerciante
Amram, Isaac 214 Negociante
Amram, Samuel 320 Negociante
Amram, Abraham 391 Proprietário
Ruah, Abraham 421 Negociante
Ruah, Jacob 785
Ruah, José 798
Levy, Saloman 346 Negociante
Levy, A. 376 Negociante
Bensabat, Joseph 291 Negociante
Sicsú, Jacob 81 Negociante
Attias, Jacob 120 Negociante

Uma última referência ao cemitério israelita de Faro para
dar nota de que a Fundação para a Restauração do Cemitério de Faro,
nascida nos Estados Unidos em 1984, promoveu a restauração e a
rededicação, em 1993, daquele importante "Imóvel de Interesse Público".

Nas cerimónias, que tiveram como anfitrião Isaac Bitton (Presidente da
Fundação), participaram altas individualidades, nomeadamente o
Presidente Mário Soares, D. Manuel Madureira Dias (Bispo do Algarve),
Cabrita Neto (Governador Civil) e Dr. João Botelheiro (Presidente da
Câmara de Faro).

Uma das principais cerimónias foi a plantação de dezoito árvores em
honra do Dr. Aristides de Sousa Mendes, pelo seu papel, enquanto cônsul
de Portugal em Bordéus, na salvação de milhares de judeus, aos quais
passou passaportes que lhes permitiu livrar-se dos nazis.

(apontamentos da intervenção de Libertário dos Santos Viegas no aniversário
do Elos Clube de Faro, em 14 de Novembro de 2004).

1 - Guerreiro, Manuel Viegas - "Judeus", Dicionário de História de
Portugal (vol. III), Livraria Figueirinhas, Porto, 1981, p.409;

2 - IRIA, Alberto - "Os Judeus no Algarve Medieval", Anais do Município
de Faro, vol. XIV (1984), p.59;

3 - idem, op. cit., p.117
4 - idem, op. cit., p.52;

5 - ANSELMO, Artur - As Origens da Imprensa em Portugal, INCM, Lisboa, 1981,
pp. 427 e 436-437;

6 - IRIA, Alberto - op. cit., p.69
7 - ROSA, José António Pinheiro - Anais do Município de Faro, vol. V
(1975), p. 143;
8 - GUERREIRO, Manuel Viegas - op. cit., p. 413;
9 - ABECASSIS, José Maria - "Genealogia Hebraica; Portugal - Séc. XIX
e XX", Anais do Município de Faro, vol. XV (1985), p.56;
10-MARQUES, A. H. de Oliveira - "Portugal da Monarquia para a República",
Nova História de Portugal, vol. XI (1991)p. 513;

A ALEGRIA DE SER ÚTIL POR BALTAZAR REBELLO DE SOUZA

A ALEGRIA DE SER ÚTIL

Quantas vezes, mesmo a pessoas amigas e de "boa formação" (se a
expressão não suscita remoques de moralismo) ouvimos dizer: «Mas
porque andas netido nessas coisas ? Goza a tua vida, trata dos teus
teres e haveres, não percas o teu tempo com devoções, canseiras,
sacríficios em benefício dos outros! Olha que ninguém te agradece!»
Certamente muitos de nós já escutámos, repetidamente, estas
advertências.
Na verdade, a nossa actividade elista pode dar origem a elas.
Sobretudo ao nível dos dirigentes, esse generoso esforço dá-nos
preocupações, rouba-nos o sono, sobrecarrega-nos os horários,
constrange-nos a bater à porta do poder político ou económico,
obriga-nos a sofrer com a desgraça, a acudir a aflições, a servir de
conselheiros ou de árbitros, a acompanhar doentes, a abrir a nossa
própria alma, e a casa, e a bolsa, nem sempre preparadas e abastadas
para tal...
Em lugar de tratarmos «só de nós» e dos nossos, cuidamos dos "outros",
não só na solidariedade com este ou aquele, mas «dessas coisas», que
julgamos se causa superior, e se traduem em «ideal» e dão corpo e
alma a instituições de «bem fazer».
Não é que de mal «mal fazer» anda o Mundo cheio ?
Por todo o lado se erguem brados de indignação, se cobram exigências,
quando não se levantam armas para - dizem - defender o Povo, os fracos
e oprimidos, combater a injustiça, curar dos direitos humanos,
estabelecer esquemas progressitas, operativos, que assegurem quadros
róseos de igualdade, fraternidade, prosperidade e paz.
Palavras. Palavras. Que bastas vezes, parecendo sinceras, nobres e
altruístas - e em muitos casos o serão, mas desprovidas da real
eficácia - albergam animosidades, frustrações, duplos sentidos,
encoberto fins, agressividades - e ódios.
O que vemos ser mesmo muito dominante dos «exemplos», a vários níveis,
é a teoria do "proveito", da fruição egoísta e em tantos casos
desordenada, chocante, afrontosa, dos bens que, sendo humanamente
legítimo, pelo trabalho, desejar, obter e gozar, explodem num
consumismo diabólico que não cansam de alimentar... e dele se
alimentar.
Cada um fecha-se sobre si próprio, ou no seu mundo, não digo em torre
de marfim, mas no beco do fala-só.
É assim deveras estranho, para muitos, que haja quem siga aquele
prudente e limitativo conselho a que aludimos: «porque andas metido
"nessas coisas? "Olha que ninguém te agradece!"»
O Movimento Elista nasceu, justamente, da capacidade de dádiva e
acção do pequeno grupo de homens da cidade de Santos, luso-brasileiros
de «boa formação», que deliberaram juntar-se para apostarem em um ideal
e em o expandir. No ideal da «Lusitanidade», ou seja, nessa vivência
lusíada a outros levada e neles imbuída, de uma «civilização de
afecto», de miscegenização, de ganhos recíprocos no convívio, na
permuta de experiências, de culturas, na fraternidade. Civilização que
tem como instrumento básico - a Língua comum, e, com ela, toda a força
da compreensão: "falando é que a gente se entende".
E, assim, do núcleo inicial de Santos, se multiplicaram os Elos que se
estenderam mundo fora, neste encadeado de boas vontades, de «bem
fazer», de suplementos de alma, arrastados pela paixão de servir um
Humanismo concreto, vazado na prática elista. Toda ela de respeito
humano, de ascensão cultural, de apreço pelas artes, as letras, as
ciências em geral e, no particular, privilegiando as sociedades
lusófonas, do Brasil a Portugal e deste às Áfricas, à Ásia, a nações e
comunidades pelo universo repartidas.
Para quantos não entendem esta nossa atitude de cuidar «destas
coisas», desta nossa devoção pelo mundo lusíada e pela Língua,
história e tradições que identificam, devemos responder, Companheiros,
simplesmente abrindo-lhes os olhos para esta visão ampla e generosa
que desse mundo lusíada irradia pela Humanidade inteira, num grandioso
e construtivo sentimento de amor e paz.
Vale a pena trabalhar e lutar por «essas coisas».
Vale a pena assumir a nossa missão como pessoas, junto de pessoas, de
cidadãos da Pátria e de cidadãos do Mundo.
É possível que ninguém nos agradeça. Mas não estamos à espera dessa ou
de outra recompensa. Apenas desta enormíssima, a do imenso gosto de
cada um cumprir o seu dever social, na grande, espantosa e pura
alegria de SER ÚTIL.

BALTAZAR REBELLO DE SOUZA
( in Revista do Elos Internacional Janeiro-Junho -1993)

sexta-feira, Setembro 16, 2005

UM CANTO PARA O GÊNIO DA POESIA ÉPICA POR MARIA ARAÚJO BARROS DE SÁ E SILVA

UM CANTO PARA O GÊNIO DA POESIA ÉPICA

Ó Camões! Ó Gênio do poema épico!
Você cantou o peito lusitano,
Cantou a vida, o belo, a morte e o tétrico,
Mandou calar, de Alexandro e Trajano
A fama das vitórias do procélico,
Vencidas com esforço sobre humano.
Você, poeta, nasceu em Santarém?
Alguém disse que foi no Alenquer,
Talvez Coimbra ou em Lisboa também...
Esta resposta muita gente quer.
Ninguém sabe! A certeza que se tem:
Era um fidalgo, não era um qualquer.
E cantando ordenou por toda parte:
"Cesse tudo o que a musa antiga canta"
E exclamando com talento engenho e arte:
"Que outro valor mais alto se alevanta"
Para o mundo surgiu feito estandarte:
OS LUSÍADAS, poesia que encanta.
Pois eu cantarei sua vida em versos,
Exaltando assim as suas bravuras,
As suas paixões, amores diversos,
Por lindas musas cheias de ternuras,
Preso e desterrado a sofrer perversos
Danos horrorosos, várias torturas.
"Por mares nunca dantes navegados"
Rompeu fronteiras, venceu quimeras,
Na Índia e Macau, trabalhos forçados,
Partiu para Goa a nadar, deveras,
Depois do naufrágio, poemas molhados,
Salvos por milagre, para outras eras.
A vida errante foi-lhe muito dura,
Perdeu um olho, custou-lhe uma vista,
Grandes debates, com muitas agruras,
Esperando sempre a melhor conquista,
Nunca descuidou da literatura,
Visão poética, porém realista.
Retornou pobre à sua terra amada,
De bons amigos recebeu favores,
Já tendo a lira bem destemperada,
Não mais cantou para seus amores,
Sua poesia sempre decantada,
Como jóia rara e de mil primores.
Portanto, Camões, receba o meu canto,
Canto de louvor pra quem tanto amou,
Não é elegia, é um acalanto,
Na forma simples de quem versejou.
Neste momento, meu brinde eu levanto,
Ao Poeta que o mundo o imortalizou!

MARIA ARAÚJO.
Presidente do Elos Internacional.

quinta-feira, Setembro 15, 2005

CURIOSIDADES DA LÍNGUA PORTUGUESA


HISTÓRIAS DOS DITADOS POPULARES (CURIOSIDADES DA NOSSA LÍNGUA)

Vejam algumas curiosidades. Expressões populares, usadas ingenuamente por nós e que têm origens bem
antigas e histórias interessantes. Vários são os ditados provindos da mitologia grega, que são
habitualmente usados na nossa língua:

CALCANHAR DE AQUILES

A mãe de Aquiles, Tétis, com o objetivo de tornar seu filho invulnerável, mergulhou-o num lago mágico,
segurando o filho pelos calcanhares. Páris feriu Aquiles na Guerra de Tróia justamente onde, isso mesmo, no
calcanhar. Portanto, o ponto fraco ou vulnerável de um indivíduo, por metáfora, é o calcanhar de Aquiles.

VOTO DE MINERVA

Orestes, filho de Clitemnestra, é acusado do assassinato da mãe. No julgamento, houve empate. Coube a
deusa Minerva o voto decisivo, que foi em favor do réu. Voto de Minerva é o voto decisivo.
Depois da mãe de Aquiles, vamos a outras mães...

CASA DA MÃE JOANA

Na época do Brasil Império, mais especificamente na época da minoridade do Dom Pedro II, os homens que
realmente mandavam no país costumavam se encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro cuja proprietária
era justamente a Joana. Como eles mandavam e desmandavam no país, ficou a frase casa da mãe Joana como
sinônimo de lugar em que ninguém manda.

A MÃE DO BADANHA

De origem controvertida. O pessoal do futebol atribui a um tal de Badanha, jogador do Internacional. Mas
existem várias versões. Será que o internauta conhece alguma? Mande mail para a nossa página.
Agora é a vez das religiosas

VÁ SE QUEIXAR AO BISPO

No tempo do Brasil colônia, por causa da necessidade de povoar as novas terras, a fertilidade na mulher
era um predicado fundamental. Em função disso, elas eram autorizadas pela igreja a transar antes do
casamento, única maneira de o noivo verificar se elas eram realmente férteis.
Ocorre que muitos noivinhos fugiam depois do negócio feito. As mulheres iam queixar-se ao bispo, que
mandava homens atrás do fujão.

CONTO DO VIGÁRIO

Duas igrejas em Ouro Preto receberam um presente uma imagem de santa.
Para verificar qual da paróquias ficaria com o presente, os vigários resolveram deixar por conta da mão
divina, ou melhor, das patas de um burro. Exatamente no meio do caminho entre as duas igrejas, colocaram
o tal burro, para onde ele se dirigisse, teríamos a igreja
felizarda. Assim foi feito, e o vigário vencedor saiu satisfeito com a imagem de sua santa. Mas ficou-se
sabendo mais tarde que o burro havia sido treinado para seguir o caminho da igreja vencedora. Assim, conto
do vigário passou à linguagem popular como falcatrua, sacanagem.

FICAR A VER NAVIOS - HISTÓRIAS DE PORTUGAL

O rei de Portugal, Dom Sebastião, morreu na batalha de Alcácer-Quibir,mas o corpo não foi encontrado. A
partir de então (1578), o povo português esperava sempre o sonhado retorno do monarca salvador. Lembremos
que, em 1580, em função da morte de Dom Sebastião, abre-se uma crise sucessória no trono vago de Portugal.
A conseqüência dessa crise foi a anexação dePortugal à Espanha (1580 a 1640), governada por Felipe II.
Evidentemente,os portugueses sonhavam com o retorno do rei,como forma salvadora de resgatar o orgulho e a
dignidade da pátria lusa.Em função disso, o povo passou a visitar com freqüência o Alto de Santa Catarina,
em Lisboa, esperando, ansiosamente,o retorno do dito rei. Como ele não voltou, o povo ficava apenas a ver
navios. Várias piadas são provenientes deste ditado. Umadelas faz graça do casamento de Jaqueline !
com Onássis, grande construtor de navios. Na lua de mel, Jaqueline teria ficado diante da janela do
quarto,e Onásis dizendo-lhe os nomes dos navios atracados no porto. Logo, na lua de mel,ela ficou apenas a
ver navios, como o povo português. É importante frisar também que a morte de Dom Sebastião inaugura o
sebastianismo, que se trata simplesmente disto a chegada do salvador. Várias crenças advêm daí.
Entre elas podemos destacar a guerra de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro.

NÃO ENTENDO PATAVINAS

Os portugueses, conta a história, tinham dificuldades em entender os que diziam os frades franciscanos
patavinos, isto é, originários de Pádua, em italiano Padova. Não entender patavina significa não entender
nada.

DOURAR A PÍLULA

Vem das farmácias que, antigamente, embrulhavam as pílulas em requintados papéis, para dar melhor
aparência ao amargo remédio. Logo,dourar a pílula é melhorar a aparência de algo.

CHEGAR DE MÃOS ABANANDO

Os imigrantes, no século passado, deveriam trazer as ferramentas para o trabalho na terra. Aqueles que
chegassem sem elas, ou seja, de mãos abanando, davam um indicativo de que não vinham dispostos ao
trabalho árduo da terra virgem. Portanto, chegar de mãos abanando é não carregar nada.
Ele chegou de mãos abanando ao aniversário. Significa que não trouxe presente ao pobre aniversariante,
que terá de se satisfazer apenas com a presença do amigo.

VOX POPULI, VOX DEI!
A VOZ DO POVO, A VOZ DE DEUS!

Câmara Cascudo, em Superstição no Brasil, nos esclarece a origem deste ditado. É hábito nosso fazer
adivinhações, por exemplo, como saber o nome do futuro marido ou da futura mulher? Existem várias crenças.
Uma delas é colocar uma moeda na fogueira e, pela manhã, retirá-la do braseiro. Em seguida, dá-se esmola
ao primeiro pedinte. O nome do mendigo será o nome do futuro noivo. Outra registrada por Câmara Cascudo é a
superstição de pôr-se água na boca e esconder-se atrás de uma porta. O primeiro nome ouvido será o do
futuro cônjuge.
A curiosidade é que este hábito não é apenas brasileiro, mas tem origem européia. As pessoas consultavam
o deus Hermes, na cidade grega de Acaia, e faziam uma pergunta ao ouvido do ídolo. Depois o crente
cobria a cabeça com um manto e saía à rua. As primeiras palavras que ele ouvisse eram a resposta a
sua dúvida. Assim, a voz do povo, a voz de Deus.

C.E. Eduardo Artur Neves Moreira

Presidente do Elos Clube do Rio de Janeiro

ELOS CLUBE: UM MEIO DE CONQUISTAR AMIGOS, APRIMORAR CONHECIMENTOS E DIFUNDIR A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO

ELOS CLUBE: UM MEIO DE CONQUISTAR AMIGOS, APRIMORAR CONHECIMENTOS E
DIFUNDIR A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO

(discurso proferido por ocasião da posse do C.E. Eduardo Artur Neves
Moreira na presidência do ELOS CLUBE DO RIO DE JANEIRO)

A vossa presença nesta data, neste memorável encontro é motivo da maior
alegria deste vosso amigo. Depois de ter estado afastado desta querida
cidade, em boa parte destes últimos três anos, em decorrência do cumprimento
do mandato parlamentar que me foi outorgado pelo voto de muitos de vós e de
muitos emigrantes de fora da Europa, vejo-me regressado ao fraterno convívio
da comunidade carioca, iniciando uma nova fase da minha vida, agora
acrescida desta rica experiência internacional e com o espírito renovado
pelo fascinante trabalho desenvolvido em defesa da emigração portuguesa
junto aos poderes da República e, particularmente, na Assembléia da
República de Portugal.

Quando da minha última visita ao Brasil, no final do mês de Janeiro, ainda
investido do cargo parlamentar, fui procurado por um grupo de diletos amigos
que manifestaram o desejo de organizar um jantar para celebrar o meu
regresso ao convívio quotidiano da comunidade luso-brasileira do Rio de
Janeiro. Na ocasião, após agradecer-lhes a iniciativa, disse-lhes da minha
intenção de lançar um livro sobre a emigração portuguesa ao final do meu
mandato e sugeri-lhes fazer o lançamento do mesmo durante o evento,
recebendo o apoio de todos para a concretização dessa idéia. O resultado
aqui está e todos nós estamos tendo a satisfação de participar deste
agradável encontro, engrandecido ainda pela posse no Elos Clube do Rio de
Janeiro que me agraciou com a honra de dirigir o seu quadro diretivo e que é
mais uma prova da amizade, da compreensão e da solidariedade destes
valorosos Companheiros Elistas, que depositaram sua confiança neste seu
companheiro para a destacada função de defender nesta parcela da nossa grandiosa
corrente de esforços e dedicação, os tão apreciados princípios elistas e as nobres
finalidades do Elos Internacional da Comunidade Lusíada, tão bem delineadas em
seus atos constitutivos e em seus regulamentos. O Elismo é um movimento singular,
cujas finalidades são a propagação e defesa dos ideais que têm por base a
Comunidade Lusíada, visando a expansão do idioma português no mundo,
proporcionando uma alta confraternização de todos os que se integram esta
fonte de radiação da cultura e do entendimento entre os homens. Visa, o
Elismo, acima de tudo, a congregação de valores humanos dispostos a promover
a boa compreensão entre os povos de todo o mundo. Entendo que o Elismo, ao
cultuar a promoção do nosso idioma comum, assim como a sua origem, cultura,
usos e costumes, inspirou-se na capacidade de integração do povo português,
que, ao expandir-se pelo mundo através das suas gloriosas navegações,
promoveu a ligação a outros povos e a outras culturas, forjando a criação de
uma identidade especial que nos honra, nos distingue e glorifica, a qual denominamos o
Universalismo Português. Essa capacidade de miscigenação racial e cultural,
na qual predomina o sentimentalismo, a facilidade de integração e de
comunicação, são fatores que são comuns tanto aos portugueses, como aos
brasileiros e aos demais povos lusófonos, fiéis legatários desta bela
filosofia, espaços nos quais o elismo tem procurado se difundir e nos quais
deposita suas maiores esperanças de desenvolvimento de sua malha
associativa. Agradeço aos companheiros elistas que se lembraram do meu nome
para esta honrosa função e que me obriga a um esforço adicional para
corresponder a essa confiança, cabendo-me suceder na presidência do Elos
Clube do Rio de Janeiro a uma personalidade das mais respeitadas na nossa
sociedade, o ilustre C.E. Rezende de Menezes, ao qual presto a minha modesta
gratidão pelo trabalho desenvolvido em prol do elismo. Pretendemos, nesta
gestão que ora se inicia, ser um elo ativo de uma "corrente p’rá frente",
um elo sem a pretensão de ser o "elo mais forte", mas
um Elos Clube que faça respeitar as suas enobrecedoras origens e que
colabore na persecução de seus objetivos, fazendo-se respeitar na âmbito
desta bela sociedade de pessoas tão especiais e que constituem o elismo.

Desejo falar-lhes um pouco sobre o livro que estou lançando nesta ocasião,
o qual já tive o prazer de entregar pessoalmente a cada um de vós. Nestes
últimos oito anos estive intensamente envolvido nos temas e interesses das
comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, quando tive a honra de ser
eleito para a Presidência e Vice-Presidência mundiais do Conselho das
Comunidades Portuguesas e, posteriormente, para representar a emigração
portuguesa junto à Assembléia da República. Desse trabalho, resultaram
interessantes fatos e iniciativas que me fizeram sentir na obrigação de
transmitir a todos os meus amigos, eleitores e pessoas que têm interesse nos
problemas e na atuação dos portugueses no estrangeiro. Por isso, nada melhor
de que um livro que procurasse relatar tais acontecimentos, transformando-se
não só um relatório sobre o que foi desenvolvido nessas atuações, como
também, numa forma de prestação de contas ao eleitorado, procurando
esclarecer o que foi feito e o que se deixou de fazer, servindo de apoio a todos
os que seguirem nesse caminho árduo mas desafiante, em prol da defesa dos
portugueses no estrangeiro. O livro é constituído por seis capítulos: o
primeiro aborda a atividade parlamentar desenvolvida no mandato encerrado em
março p.p.; o segundo a ação política conduzida no mesmo período de três
anos e os principais deslocamentos para participar em eventos e solenidades
junto a algumas das nossas maiores comunidades no estrangeiro. Há um
capítulo voltado para o trabalho desenvolvido no Conselho das Comunidades
Portuguesas, órgão que é o mais efetivo representante da nossa emigração,
considerando-se a sua formação através do sufrágio universal, mediante a
eleição de seus representantes pelo voto direto de todos os emigrantes
registrados em todos os nossos consulados existentes, dotando-o de uma
representatividade difícil de ser superada. Saúdo a presença nesta
solenidade do meu dileto amigo, Dr. António Almeida e Silva, atual presidente
do Conselho Permanente das Comunidades Portuguesas, dirigente máximo do CCP e
que me honra com a sua presença e a sua solidariedade. Outro capítulo é dedicado
às relações luso-brasileiras, tema que tem sido uma das minhas grandes paixões e
que, sempre que posso, procuro ressaltar e engrandecer em todas as minhas iniciativas
e ao qual pude me dedicar durante o exercício da presidência do Grupo Parlamentar de
Amizade Portugal-Brasil, constituído na Assembléia da República Portuguesa. Uma das
minhas propostas para o desenvolvimento das relações inter-parlamentares
luso-brasileiras, foi a de fomentar a criação de grupos parlamentares de
amizade com Portugal nos parlamentos estaduais do Brasil, saudando com
especial carinho a criação do Grupo Parlamentar de Amizade Luso-Brasileiro
na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, cujo presidente o
ilustre parlamentar luso-brasileiro, Dr. Paulo Pinheiro, nos honra com a sua
presença. O livro possui ainda dois outros capítulos, um compilando uma
série de crônicas e artigos de opinião, sobre os interesses da emigração
portuguesa e outro transcrevendo algumas das principais entrevistas e depoimentos
que tive a oportunidade de conceder durante o referido período que abrange 1988 a 2005.
Espero que o mesmo possa, de alguma forma, ser útil à emigração portuguesa e
que sirva para elucidar alguns temas e acontecimentos pouco esclarecidos.

Desejo, neste momento, agradecer a presença dos meus ex-companheiros da
Secretaria da Receita Federal, órgão ao qual dediquei a maior parte de
minhas atividades profissionais e que é um dos sustentáculos técnicos e
financeiros da estrutura governamental brasileira, possuindo em seus quadros
valores dos mais conceituados e expressivos dentre os que integram o serviço
público brasileiro. A presença de diversos e ilustres acadêmicos, meus
estimados confrades e confreiras da Academia Luso-Brasileira de Letras,
muito me embevedece, dizendo-lhes do imenso prazer que desfruto com a sua
companhia, a sua sabedoria e os seus ensinamentos. A eles envio o preito de
toda a minha admiração. Quero, também, destacar a presença de um
considerável número de meus ex-companheiros da UPEB – União Portuguesa dos
Estudantes no Brasil, entidade a qual tive a honra de integrar e participar
da sua direção nos meus tempos de estudante e que se transformou num celeiro
de pessoas da maior expressividade e respeito, seja no campo profissional, social,
como no político de ambos os países. Agradeço também a presença de inúmeros
companheiros de lutas em prol do desenvolvimento associativo da comunidade
portuguesa do Rio de Janeiro, com os quais integrei vários quadros
dirigentes, seja na Federação das Associações Portuguesas e Luso-Brasileira,
seja no Real Gabinete Português de Leitura, como também na Obra Portuguesa
de Assistência, na Caixa de Socorros D. Pedro V, na Casa da Vila da Feira e
Terras de Santa Maria e na Casa do Porto. A todos, inclusive os das demais
associações comunitárias, das quais sou associado a várias, os meus melhores
agradecimentos e desejo de que continuem a prestar a sua valorosa
contribuição para o engrandecimento do nosso associativismo e na manutenção
da nossa presença em terras brasileiras. Estou sumamente honrado com a
presença da Presidente Internacional do Elos Clube, companheira Maria
Araújo, personalidade na qual saúdo todos os dirigentes elistas que vieram trazer
a este encontro o brilho de suas presenças e a todos os demais companheiros
presentes e futuros, que sempre terão no Elos Clube um meio de conquistar amigos,
de aprimorar conhecimentos e de colaborar nesse magnânimo trabalho que é o de
aprimorar e difundir a lusofonia. Viva o Elos Clube! Viva o Brasil! Viva Portugal!
Viva a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa!

C.E. EDUARDO ARTUR NEVES MOREIRA

quarta-feira, Setembro 14, 2005

TRIBUTO À LÍNGUA PORTUGUESA POR MARIA ARAÚJO BARROS DE SÁ E SILVA

TRIBUTO À LÍNGUA PORTUGUESA

Ó língua portuguesa, como eu te amo!
Amo-te e venero com o mais puro ardor,
o mais infinito amor
do meu coração pulsante.
Amo-te porque tu és a mais rica,
a mais bela, a mais vibrante,
musical e dinâmica.
Tu és língua viva em várias nações
e tens dimensões, reinado sem fim.
Embora nasceste tão rude e tão pobre;
arcaica e vulgar, provéns do latim.
Estás no Brasil, estás em Angola,
na Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe,
estás em Damão, na Ásia, em Macau,
Cabo Verde, África, Timor, Portugal.
Rainha das águas, Açores, Madeira,
língua verdadeira, de grande expressão.
Em outros países,
em mundos distantes,
és tu fulgurante, tens brilho, tens luz.
Sacrossanto idioma,
contigo eu proclamo: eu amo Jesus.
Contigo, também
os navegadores romperam confins,
zarparam "por mares nunca dantes navegados."
Os desbravadores romperam as fronteiras
por rios e matas:
encontraram ouro descobriram prata.
Através de ti, ó idioma querido,
Manoel da Nóbrega acalmou o gentio,
José de Anchieta catequizou os índios do meu Brasil.
Ó idioma pátrio!
Com tua beleza,
com tua riqueza meu povo diz: PAZ,
amor e bondade e diz caridade,
também liberdade,
implora a Jesus por mundo melhor!
Com os teus fonemas,
o grande Camões encantou o mundo,
serviu de escudo, demonstrou sua fé,
despertou paixões, escreveu seus cantos,
por vários recantos
e salvo da tormenta,
embora cansado traz
"no seu regaço o canto molhado"
que "vem do naufrágio" triste da procela.
Eu queria ser o melhor poeta,
um perfeito esteta para te louvar.
Eu queria ser tal qual Rui Barbosa, o Águia de Haia,
que era perfeito, quando te usava;
quando se expressava em bom português
o mundo calava e o gênio escutava a sua eloqüência.
Eu queria ser poeta romântico ou parnasiano,
com versos perfeitos para te exaltar
com rimas e métricas em frases poéticas, ditas do meu jeito.
Ó formosa língua!
Eu não quero ter a vã pretensão de ser erudita,
mas sendo tu bendita foste decantada
no período clássico pelos prosadores:
César, Tito Lívio, Cícero e Cornélio.
Por tantos poetas:
Horácio, Ovídio, Fedro e Virgílio, Catulo e Lucrécio.
Tu, Língua portuguesa foste nos primórdios
apenas falada e foste cantada pelos trovadores.
Somente mais tarde, a História conta,
tu foste levada através da escrita pelo mundo afora
e a partir da era dos descobrimentos,
as naus lusitanas que singravam os mares
foram te expandindo por vários lugares.
Numa época áurea na qual Portugal em bravas conquistas,
muita evolução da literatura fazia contigo a comunicação.
Chegaste ao Brasil, na mata selvagem
fincaste o teu marco, através de um grito:
"Terra a vista!"
Irrompeu Cabral.
Há 500 anos estás no Brasil, falada e escrita tens belezas mil.
Por todo o universo, num brado eu proclamo:
LÍNGUA PORTUGUESA, LÍNGUA DO BRASIL
QUE EU TANTO AMO!

MARIA ARAÚJO
Presidente do Elos Internacional.

ELISMO - VEÍCULO DE CULTURA LUSÍADA III


TESE APRESENTADA POR
JOSÉ LUIS CAMPOS
DO
ELOS CLUBE DE FARO

CONVENÇÃO CONTINENTAL ELISTA
FARO, 13 DE AGOSTO DE 2005
Todos sabemos que o Elos foi fundado por Eduardo Dias Coelho, que inspirado em diferentes
fontes, procurou sobretudo a dimensão humanista – atribuindo e esperando no Homem como fonte
de toda a criatividade e essência da vida. Entenda-se a genése do Elos nos princpíos igualitários do
Homem. Hoje, à distância de vários anos, podemos entender a razão da criação: fundação de um
movimento cultural igualitário e democrata com base na Língua Portuguesa e nos princípios
humanistas Lusíadas. Efectivamente a humanismo cristão consubstancia-se no princípio “ama o
próximo como a ti próprio”. Esta base igualitária transformou a religião e o homem. Este foi o
principio do relacionamento durante muitos anos dos Portugueses nos territórios descobertos.
Procurou-se uma interligação e aproximação a todos esses povos espalhados pelos cinco
continentes. Daí que podemos entender que todos os que falam Português pelos quatro cantos
da Terra são elos de uma corrente, a da Língua Portuguesa, apesar de não serem Elos conscientes.

A bandeira elista toda ela repleta de simbolismo, nos seus dois triângulos, macrocosmo
e microcosmo. Note-se contra as normas de heráldica a colocação do símbolo do Elos,
no primeiro triângulo, macrocosmo, com a cor branca, simbolo da pureza, triângulo na vertical
em que o segundo angulo é gerador permanente de criatividade e desenvolvimento. A cor azul,
do segundo triângulo, simbolizando o planeta e a riqueza de ideais.

Podemos perspectivar o nascimento do Elos na época aurea do anos 60 e rever no tempo
as alterações ocorridas no mundo, a nível político, social e económico. Veja-se a alteração dos
meios de comunicação, em que a imprensa escrita e a rádio, deram lugar à televisão, mais
recentemente a revolução multimédia e a introdução da rede mundial de computadores.

Os Elos Clubes, entidades culturais, espalhados pelos quatro continentes, tinham sobretudo
nos anos 60 e 70 uma componente de cariz recreativo e social, com um protocolo demasiado
rígido. Deve-se entender esta forma de funcionar dos Elos em resultado das condições politicas
e sociais, mas também dos membros serem, na sua grande maioria, de um estrato social
bastante elevado.

As alterações políticas no Brasil e em Portugal e a independência das Colónias induziram novas
alterações ao Elos. As unidades Elistas em África interromperam as suas actividades. Os Elos
passaram a funcionar sem restrições de opinião e de forma democrática.

O Elos prosseguiu as suas actividades nos anos 80 e 90. Foram acrescentadas as unidades
do Algarve, através do esforço e dedicação de um punhado de homens que viveu com o
coração esta causa. Foi criado o Elos de Macau e mais recentemente o Elos de Timor. Os
Elos em África parecem resurgir, Beira e agora talvez Luanda – crendo na promessa do
Embaixador, presente recentemente, numa reunião do Elos do Rio de Janeiro.

Em Elos procuramos difundir a Língua Portuguesa como forma de entendimento entre
os povos da Lusofonia. Em suma procuramos a paz e a prosperidade dos povos. É na base
do diálogo que os povos devem resolver as suas diferenças.

Existem várias definições e entendimentos do que é a cultura. A primeira referência ao conceito
de Cultura foi efectuada pr Johann Gottfried Herder, nos meados do século XVIII, e tem andado
envolvido em discussão desde então. Para Herder, Kultur, é o próprio sangue vital das pessoas,
o fluxo da energia moral que mantém intacta a sociedade. Em contraste, a Zivilisation, é o
verniz das maneiras, a lei e técnica. As nações podem partilhar a civilização; mas serão sempre
distintas na sua cultura, uma vez que a cultura define o que elas são.
Os românticos alemães (Schelling, Schiller, Fichte, Hegel, Holderlin) construíram a cultura à
maneira de Herder, como a essência que define uma nação, uma força espiritual partilhada
que se manifesta em todos os costumes, crenças e práticas de um povo. Segundo eles, a cultura
dá forma à linguagem, à arte, à religião e à história, deixando o seu carimbo no mais pequeno
acontecimento. Nenhum membro da sociedade, por mais mal educado que seja, está desprovido
de cultura, uma vez que cultura e pertença social são a mesma coisa.

Outros, mais clássicos que os românticos, interpretaram a expressão no seu significado a partir
do Latim. Para Wilhelm von Humbolt, fundador da universidade moderna, a cultura estava
associada não ao crescimento natural mas ao seu cultivo. Nem todos a possuiríam, uma vez
que nem todos têm o tempo, a inclinação ou a habilidade para aprender o que é preciso.
Existe uma terceira concepção de cultura - cultura popular, como se lhe pode chamar - tornou-se
um tema familiar da sociologia. Ela define a matéria central dos "estudos culturais" - uma disciplina
académica fundada por Raymond Williams com o objectivo de substituir o Inglês académico.
Williams era um crítico literário; mas as suas simpatias igualitárias forçaram-no a rebelar-se conta
a tradição elitista da escola literária. Ao lado da cultura de elite das classes superiores, dizia ele,
sempre existiu outra, em nada inferior, uma cultura do povo, através da qual o povo afirmou a sua
solidariedade face à opressão e na qual exprimem a sua identidade social e o seu sentido de
pertença. O anti-elitismo de Williams abriu uma porta, e o conceito de cultura estendeu-se à
descrição das formas de arte popular e entertenimento na contemporaneidade. Como resultado
desta ampliação académica, o conceito começou a perder a sua especificidade. Qualquer actividade ou artefacto são considerados culturais, uma vez que são produtos formadores de identidade e interacção
social.
Em Elos a Cultura está presente em todas as nossas actividades. Procuramos transmitir o fluxo
de energia moral e de valores Lusíadas, que nos distingue das outras nações. Acima de tudo
somos cidadãos que temos um conhecimento mais desperto para a realidade Lusófona e daquilo
que podemos criar e transmitir aos outros.
Cultura é a essência que nos une, elistas e não elistas, é a expressão da dimensão humana na sua
mais pura manifestação. Cultura Lusíada é a razão de ser e de viver de todos os que falam e
sentem que a língua portuguesa e os seus valores culturais subjacentes se conjugam em todos
os modos e tempos do verbo comunicar.
Faro, 13 de Agosto de 2005
José Luís Guedes de Campos

terça-feira, Setembro 13, 2005

ELISMO - VEÍCULO DE CULTURA LUSÍADA II

TESE APRESENTADA POR
MARIANA FERNANDES
DO
ELOS CLUBE DE FARO
CONVENÇÃO CONTINENTAL ELISTA
FARO, 13 DE AGOSTO DE 2005

Ao Elismo – bem como a outros agrupamentos, claro – como uma vasta cadeia de
elos que ligam todos os povos lusófonois cabe a honra e o dever de defender e divulgar a
cultura lusíada.

Por cultura lusíada entendo uma cultura muito mais abrangente do que a portuguesa,
uma cultura formada e desenvolvida pelo intercâmbio de todas as culturas que estão na
raiz da formação, do crescimento e do desenvolvimento do povo português e de todos
os outros com os quais tem contactado ao longo dos séculos.

Os aspectos que permitem identificar uma cultura são muito variados. No caso
específico portugês vou tomar como referência a criatividade e o “deixar correr”.
A criatividade é aquela qualidade que nós Portugueses, avaros na avaliação dos nossos
méritos e generosos na avaliação dos outros povos, designamos por desenrascanço.
O português é e sempre foi muito criativo o que o tem levado a fazer inovações em
campos varíadissimos e, dum modo geral, de grande qualidade. Mas com o “deixar
correr”, essas contribuições são, na generalidade, soberanamente ignoradas pela maioria
dos próprios Portugueses.

Vejamos alguns exemplos significativos.

Foram os primeiros a organizar os rudimentos dos primeiros dicionários com o
significado das palavras desconhecidas que encontravam nos novos povos que
descobriam e que lhes facilitavam a comunicação com esses e outros povos, como o
testemunhou Duarte Pacheco Pereira no seu admirável Esmeraldo de Situ Orbis,
mas este facto é ignorado pela grande maioria dos Portugueses e não é valorizado pelos
que o conhecem e têm obrigação de o não esquecer e dá-lo a conhecer e a toda a
hora a língua portuguesa é atropelada sem dó nem piedade.

Têm criado uma literatura vastísima e riquísima na qual refiro, a título de exemplo,
apenas alguns dos autores dos muitos que considero bem representativos do conjunto:
Camões, Fernão Lopes, Garcia de Resende, Gil Vicente, Fernão Mendes Pinto,
Alexandre Herculano, Almeida Garret, Eça de Queirós, Fernando Pessoa, Jorge
Amado, João Guimarães, Mia Couto, José Eduardo Agualusa, Tomé Vieira da
Cruz, Noémia de Sousa, Agustina Bessa Luís, etc. , etc., mas não se faz um esforço sério
para desenvolver o gosto pela leitura a não ser por alguns organismos particulares e,
nesse aspecto, o Elos Clube está de parabéns pelos esforços que faz nesse sentido.

Construíram um dos monumentos mais significativos do gótico europeu – o Mosteiro da
Batalha – cujas Capelas Imperfeitas são um dos mais completos e brilhantes hinos ao
gótico flamejante, mas tiveram a coragem de, em vez de reconstruírem, acabarem de
demolir os restos dos claustros de D. João III que sobraram da barbaridade dos soldados
de Napoleão quando saquearam o Mosteiro, “limparam” a Capela do Fundador e
queimaram a biblioteca.

Fizeram os Painéis de S. Vicente, aqueles painéis espantosos que, em pleno século XVI,
quando na pintura europeia dominavam o temas religiosos, têm representadas todas as
figuras com as cracterísticas da pintura realista que a Europa só viria a descobrir na
segunda metade do século XIX, mas os painéis estiveram desaparecidos e foram
descobertos, por acaso, abandonados, entre restos de pedras e tábuas inúteis.

Lançaram as bases da ciência newtoniana, tiveram os conceitos de campo gravítico
terrestre, de linhas de campo gravítico, suspeitaram da analogia (hoje admitida como
certa) das forças gravítica, eléctrica e magnética, identificaram e estudaram as correntes
marítimas, fizeram as correcções – exactamente como ainda hoje se fazem – da escolha
do rumo dum navio tendo em consideração a declinação magnética e a distribuição das
massas metálicas no navio, aplicaram a relação conhecida hoje como “relatividade de
Galileu” antes de Galileu ter nascido, etc., etc., mas deixaram perder essa ciência e nem
falam dela.

Fizeram, por todo o mundo, o maior transporte de plantas e animais jamais realizado:
levaram as mangueiras da Índia para o Brasil, as palmeiras reais para o Brasil, etc.,
criaram no Rio de Janeiro o primeiro Jardim Botânico para adaptação das plantas
transplantadas a fim de sobreviverem no Brasil e poderem ser transplantadas para outras
regiões, mas o belo e rico Jardim Botânico de Lisboa está a morrer.

No Tramagal foram construídos os núcleos dos electroímanes do C. E. R. N.;
na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra são testadas as redes de detecção
de partículas do C.E.R.N.: foram os engenheiros do I.S.T., em Lisboa, que
resolveram o problema da transmissão de dados entre os vários pisos do C. E. R. N..

O I.S.T é uma das 12 escolas de engenharia reconhecidas em todo o mundo pela sua
alta qualidade.

É português o homem que escreveu a tese de doutoramento sobre águas subterrâneas
com a qual o M.I.T ganhou o 1º prémio num concurso a nível mundial.

Foi um português que criou o conceito de cérebro emocional.

Foi uma portuguesa que descobriu um dos V.I.H..

De todos os salões de inventores os Portugueses trazem medalhas como reconhecimento
pela elevada qualidade e oportunidade das suas invenções.

Foi Portugal o primeiro país a acabar com a escravatura e com a pena de morte mas
onde foi possível cortar com uma serra eléctrica, numa só noite, um carvalho que já era
“homenzinho” quando o Papa reconheceu D.Afonso Henriques como Rei de Portugal,
segundo uma notícia que, há alguns anos, li num jornal. E é ainda em Portugal que é
possível assistir-se ao espectáculo inacreditável de estar tudo a arder, a milhares de
vidas, entre pessoas, animais e plantas serem consumidas, a acabar-se a água e não se
ver uma reacção nacional, viva, sentida, capaz de mobilizar toda a gente, contra uma
situação inadmissível.

É Portugal o país que tem sido capaz de sobreviver a pilhagens sucessivas realizadas por
invasores e por amigos que o vêm ajudar contra os invasores mas que, às vezes, parece
esquecer-se de defender os seus valores.

É Portugal o primeiro país que criou a instituição Santa Casa da Misericórida mas que
não prevê e não planifica as acções que defendem a sua identidade que, por sinal, é bem
rica e variada e da qual só temos motivos para nos orgulharmos.

Faro, 9 de Agosto de 2005

Mariana Teles Antunes Pais Dias Fernandes

domingo, Setembro 11, 2005

ELISMO - VEÍCULO DE CULTURA LUSÍADA



TESE APRESENTADA POR

DINA LAPA DE CAMPOS
DO
ELOS CLUBE DE FARO

CONVENÇÃO CONTINENTAL ELISTA

FARO, 13 DE GOSTO DE 2005


Encontrei esta passagem num livro de Maurício de Oliveira, jornalista português, que, numa viagem a África, em 1932, com mais sete jornalistas, entre eles o grande Eça de Queirós, fez, porventura, uma das maiores reportagens jornalísticas da época, com a diferença que a escreveu em bom português.

" Foi por este mar, mar sem fim, outrora tenebroso, povoado de monstros hediondos e de outros lendários e pavorosos perigos, que passaram naus e caravelas, a Cruz de Cristo sangrenta sobre o pano enfunado de suas velas, a bandeira das quinas tremulando ufana nos topes ... e sobre elas, conduzindo-as, a alma serena e o pulso rijo dos marinheiros de Portugal. Como visionários , iam em busca de novos mundos sonhados, com aquela audácia característica das raças que, transbordantes de energias, acreditam que jamais se extinguirão."

É desta raça transbordante de energia que nasceu o movimento elista. Homens e mulheres que se atreveram a erguer a bandeira da língua portuguesa tão ou mais longe que o padrão dos descobrimentos.

É desta forma, que há mais de quatro décadas, um grupo sentiu a grandeza da língua e da cultura de que eram herdeiros e sonharam unir o mundo pela paz e pela língua sem a veleidade de a querer impôr.

Aliás, se ainda hoje o mundo que fala português o faz, certamente por vontade própria pois que se quebraram há muito os laços materialistas e políticos que teimam em acorrentar culturas.

Fala-se português nos continentes Europeu, Americano, Africano e Asiático e por cerca de 183 milhões de pessoas, colocando Portugal em 6º lugar nas línguas mais faladas no mundo e a 3ª língua europeia mais falada .

É esta grandeza e esta responsabilidade que nos legaram os nossos maiores.

É nossa missão, enquanto elistas, preservar, divulgar, conquistar e amar a língua e a cultura portuguesa.

Não basta dizer que somos (elistas) é preciso fazê-lo.

E fazê-lo significa mesmo fazer obra, lançar bases, atirar ideias, levantar-se contra e a favor, acima de tudo saber tomar posição nos momentos e nas circunstâncias em que o nosso contributo nos é pedido.( e até mesmo quando não nos pedem!)

Ser elista é ter opinião e se possível, fazer ouvi-la.

Aquilo que os nossos fundadores fizeram foi divulgar o movimento elista. Abri-lo ao mundo e não confiná-lo a quatro paredes de uma sala.

É agradável podermos trocar ideias entre nós mas é bem mais valioso se as transmitirmos ao mundo. E o mundo é por vezes logo ali ao lado, o nosso vizinho, o nosso amigo ou a escola dos nossos filhos.

Entendo o elismo como um movimento dialéctico, que se renova, que não teme mudanças, que arrisca e que semeia.

Neste momento, o veículo de cultura lusíada, que somos todos nós, tem que estar disposto a aprender e a ensinar, a transmitir e a apostar nos mais jovens como garante da continuidade. É nossa obrigação fomentar o elismo nas camadas mais jovens. E se os jovens não vêm até nós, saibamos ir ao seu encontro.

A nossa acção deve conter actividades que levem os jovens a participar e a interessar-se. Será utopia ? Não sei, mas há quem dissesse que a utopia precede a obra.

Não é de hoje mas de sempre, que o movimento elista conhece altos e baixos. É normal que tal suceda. Porém, ao passarmos em revista os últimos anos de história do movimento elista em Portugal, verificamos que existe uma tendência no sentido descendente do movimento. Há muitos anos que não que não é criada uma nova unidade elista em Portugal, mas em contrapartida, muitas se perderam ou se apagaram. Talvez seja este o momento de viragem, de juntarmos esforços e procurarmos inverter a actual situação

A união caracteriza o movimento elista, por isso, se chamam ELOS, porque se unem uns aos outros e se completam. Tem-nos faltado a união e até a humildade.

Talvez seja este o momento de "contribuirmos com uma pequena parcela " como nos pediu Eduardo Dias Coelho.

Faro, 13 de Agosto de 2005
Dina Isabel Osório Gomes Lapa de Campos
Elos Clube de Faro

quinta-feira, Setembro 08, 2005

Elismo é o quê ?


Elismo é o quê?
Pergunta conveniente ou inconveniente ??
É o desconhecimento ou a dúvida que leva à pergunta ??

Elos expressa a União de todos os que falam Portugês no Mundo.
Manifesta a herança dos bravos que saíram de Portugal em Caravelas
e que sulcaram os Oceanos então desconhecidos.

O Elos foi o sonho de um grande homem, Eduardo Dias Coelho,
que entendeu a necessidade de criar um movimento que congregasse
aqueles que acreditam no ideal do entendimento entre os Povos.
Vivia-se o final da década de 50, época de guerras e ditaduras.

Em Elos sublimamos a epopeia da descoberta dos Novos Mundos
e que tão bem foi narrada nos "Lusíadas".
Procuramos trocar ideias, divulgar os poetas e os autores
da Lusofonia, reflectimos sobre a Língua e a Cultura Portuguesa.
Procuramos a paz e o entendimentos entre os povos, buscamos o
progresso cultural e social.
Entendemos que a formação dos jovens passa pela Língua Portuguesa.

Um Elos é uma associação cultural que tem estatutos,
quadros sociais e uma dinâmica de Grupo.
É uma organização democrática e de consenso.
Os seus dirigentes procuram fomentar novos membros
a tomar parte dos Elos e a assumir o seu lugar na corrente
do Humanismo e da Língua Portuguesa.

Um Elos não pára nunca, pode adormecer, mas debaixo da
sua bandeira sempre surgirá uma nova dinâmica e uma nova força.
A bandeira de um Elos é o seu maior símbolo e a sua força.

Todos nos tratamos por Companheiros, porque juntos a uma mesa
partilhamos o pão. Mas também partilhamos saber e conhecimento.

Um Elos transforma-se, renova-se e sempre permanecerá um Elos.

Os ismos nasceram para dividir o Mundo. A Língua Portuguesa
nasceu para unir o Mundo, como tal encontra-se espalhada
por todos os Continentes, da Europa à Ásia, da Africa à Arábia
da América do Norte à América do Sul.
Na minha mente surge Comodoro Ribadavia, no Sul da Argentina,
onde a Língua Portuguesa floresce.

Os Elos são parte do despertar para a essência da Língua:
o entendimento e a compreensão entre os povos, a Paz.

Viva o Elos! Viva a Língua Portuguesa!

Fim

Eu sou membro de um Elos porque honro a memória e o legado daqueles que me acarinharam e ajudaram durante a minha juventude a construir a minha personalidade, o meu "mestre" e amigo João Gaspar Simões, Abelaira Gomes, Figueiredo de Barros, Maria de Lurdes Paço D'Arcos, Martha Gonsweiller e Sam Levy. A estes Elos da Cultura Portuguesa eu devo a minha "construção" cultural e a eles eu Honro e agradeço por tudo, pelo tempo que me dedicaram, pelas ofertas e pelo saber que me transmitiram. Bem Hajam!

Tenho dito.

José Luís Guedes de Campos.

segunda-feira, Setembro 05, 2005

EU TAMBÉM SOU POETA


1º Prémio no Concurso Literário Elos Clube de Faro –
Jovens Autores 2005.

EU TAMBÉM SOU POETA

Ser poeta
É um mar profundo
É como viver
Num sono profundo

Ser poeta
É ser escritor
É ter um bom humor

Ser poeta
É ver escrito com sentido
Um amor ...

Ser poeta é ser artista
Como um fadista

Ser poeta
É ser professor
É ensinar a amar ...
E a gostar ...

Ser poeta
É um mar profundo
Que embeleza o mundo.

Autor: Bruno Richard Mussá Venichand

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quinta-feira, Setembro 01, 2005

Mensagem da Presidente do Elos Internacional :

O Portal da Lusofonia é uma porta aberta para o mundo conhecer o Elismo.

Este Blog surge em boa hora, como um veio de alta tecnologia informática para que os internautas se apropriem dos princípios e objetivos do Elismo.

A todos os internautas, Saudações Elistas da Presidência do Elos Internacional:

MARIA ARAÚJO BARROS DE SÁ E SILVA.